Informação

Abandono Escolar dos Emigrantes Portugueses no Luxemburgo

Posted in Informação, Noticias on January 6th, 2010 by Ricardo Correia – Be the first to comment

São marcas que continuam a acompanhar os portugueses. Cá dentro, Portugal tem a segunda taxa mais elevada de abandono escolar precoce da União Europeia. Lá fora, os filhos dos emigrantes portugueses continuam a desistir. No Luxemburgo, um em cada quatro alunos que abandona a escola secundária é português, dá conta um estudo do Ministério da Educação luxemburguês.
Entre os estudantes estrangeiros que frequentam o ensino secundário naquele país, os portugueses são os que apresentam a maior taxa de abandono escolar. No último ano lectivo, estavam inscritos nas escolas públicas 7046 portugueses. Desistiram 454, o que representou um aumento de cinco por cento em relação ao ano anterior. Os alunos portugueses representam 19,1 por cento da população estudantil do Luxemburgo. São o maior grupo entre os estrangeiros que estudam naquele país.

A outra face da mesma moeda: dados recentes mostram que, nos EUA, Canadá, Grã-Bretanha e Suíça, os filhos dos emigrantes portugueses estão também entre os que obtêm resultados escolares mais baixos entre as comunidades estrangeiras. Para Hermano Sanches Ruivo, responsável pela primeira associação de luso-descendentes criada na Europa, a Cap Magellan, a reprodução desta situação deve-se em grande parte ao facto de muitas famílias continuarem a não valorizar o papel da educação. “Não têm tempo para acompanhar os filhos, não gastam dinheiros em aulas suplementares para compensar atrasos. Os jovens, por seu lado, têm como preocupação começarem a trabalhar o mais rapidamente possível.”

Também o organismo que coordena os serviços escolares na Suíça (CDIP) apontou, em 2007, o dedo às famílias. Os fracos resultados escolares das crianças portuguesas devem-se “ao desinteresse total dos pais em acompanhar” a educação dos filhos e à “origem sócio-cultural modesta” destes, afirmava-se num documento que suscitou a indignação dos representantes portugueses naquele país.

Sanches Ruivo, que foi o primeiro luso-descendente a ser eleito para a Câmara de Paris, considera que a responsabilidade desta performance negativa recai também sobre os sucessivos governos portugueses. Tem sido feito muito pouco para promover a língua portuguesa, constata. Um resultado: em França, apenas 30 mil pessoas estão a aprender português, os estudantes de italiano são quase 300 mil, os de espanhol três milhões. Advertindo que a falta de visibilidade da língua e da cultura significa também mais dificuldades na integração, defende que é necessário desenvolver um trabalho de pressão, de lobbying, para levar a que o ensino do Português seja integrado nos sistemas educativos dos países de acolhimento. Por enquanto continua a cargo de associações de emigrantes.

Docentes pedem para não cortarem a sua disciplina

Posted in Informação, Noticias on December 29th, 2009 by Ricardo Correia – Be the first to comment

O 3.º ciclo do ensino básico terá um novo currículo já a partir do próximo ano lectivo, anunciou a ministra da Educação, Isabel Alçada. O número de disciplinas vai ser diminuído, embora se mantenha a mesma carga horária.

Deste modo, explicou Alçada, os alunos terão “mais tempo” para poderem trabalhar cada disciplina. Haverá “menos dispersão“, acrescentou. Actualmente, os alunos do 3.º ciclo têm 13 disciplinas, várias delas correspondentes a áreas não curriculares.

As associações de professores estão de acordo: os alunos do 3.º ciclo estão sobrecarregados, têm disciplinas a mais.

Contudo, quando se lhes pergunta onde cortar, defendem a sua disciplina e até pedem mais tempo para ela. Talvez cortar nas áreas curriculares não-disciplinares, avançam, mas o conteúdo destas também é necessário, contrapõem logo de seguida. Uma coisa é certa: querem ser ouvidos pelo Ministério da Educação. Afinal, são eles que estão nas escolas e têm o “saber profissional“.

No Conselho Nacional de Educação, a ministra avançou alguns pormenores: além das competências básicas na área da leitura, escrita, Matemática e Ciências, também as Tecnologias de Informação e Comunicação são consideradas essenciais.

Se, no 1.º ciclo, os alunos têm quatro áreas obrigatórias, quando chegam ao 3.º ciclo estas disparam para mais do triplo, com 14 disciplinas, que podem ser 15 com Educação Moral e Religiosa (facultativa). No secundário, nos cursos gerais, as disciplinas diminuem para quatro de formação geral e cinco de formação específica.

Por um lado isto é positivo para os alunos, que de facto têm mais tempo disponível para dedicar às disciplinas que são verdadeiramente interessantes, não menosprezando as outras claro. Por outro lado, esta medida poderá acarretar um aumento do número de professores no desemprego, sendo que muitos deles apenas leccionam disciplinas extra-curriculares.

Sindicato Denuncia que escolas dependem de inscritos nos Centros de Emprego

Posted in Informação, Noticias on December 21st, 2009 by Ricardo Correia – 1 Comment

A Federação Nacional de Sindicatos da Função Pública denunciou hoje que o funcionamento das escolas está dependente das pessoas que estão inscritas nos centros de emprego e que estão a ocupar “lugares de responsabilidade” sem terem situação e um vínculo estável.
Em declarações à Rádio Renascença, a dirigente sindical Natália Carvalho explicou que a falta de pessoal não docente nos estabelecimentos de ensino está a ser solucionada com o recurso a mais de seis mil pessoas que estão a trabalhar nas escolas ao abrigo do programa Inserção/Emprego.

Nós pudemos constatar que ocupam lugares de responsabilidade. Portanto, não estão a fazer um acompanhamento com outros trabalhadores; estão a ocupar lugares de responsabilidade”, disse. Segundo Natália Carvalho, estas pessoas só trabalham 12 meses nas escolas, pelo que a opção governamental está a contribuir para engrossar os números do desemprego.

Sabemos que para o Governo dá muito jeito porque, à medida que são colocados nestes contratos de Emprego e Inserção, efectivamente, as pessoas deixam de constar como desempregadas. Mas, efectivamente, elas continuam a receber o subsídio de desemprego e não têm um emprego”, acrescentou à mesma rádio.

Contudo, o presidente do Conselho das Escolas, Álvaro Almeida dos Santos, também à Rádio Renascença, sublinhou que “esta medida é fundamental para o funcionamento de muitas escolas”, pelo que a considera “globalmente positiva”.